quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O futebol que não foi milionário

Sempre gostei de futebol e acompanhei de tudo um pouco sobre esse esporte que fascina tanto os brasileiros.

Uma das coisas que sempre me chamou a atenção é a diferença entre o futebol de hoje e o de 50, 60 anos atrás. E não falo apenas da qualidade técnica e do amor à camisa, que andam meio esquecidos nos últimos anos. Falo da questão financeira.

Hoje é um verdadeiro absurdo o que os clubes, especialmente os árabes e os europeus, investem em futebol. São milhões de dólares gastos em apenas um jogador, tido como o “salvador da pátria”. Valores que fariam a alegria das milhares de pessoas que passam frio e fome em todo o planeta. Mas o assunto é futebol, e vou me deter nele.

O que me chama de fato a atenção é a mudança desse elevado investimento ao longo dos anos. Na época em que o esporte era conhecido como “futebol arte”, não havia esses salários desproporcionais. Ganhava-se o suficiente para viver bem e pronto. Nada de excessos. Quem exagerava, acabava como o grande Garrincha, pobre e destruído pelo álcool.

E isso é o que tenho visto de perto depois de mais de dois anos trabalhando em um dos maiores clubes do futebol brasileiro.

Em entrevistas com ex-craques do Internacional observo a imensa diferença dos tempos no futebol. Se Kaká ou Ronaldinho Gaúcho resolvessem parar de jogar hoje, por exemplo, poderiam viver tranquilamente bem até morrer. E ainda deixariam uma gorda herança para as próximas gerações.

Para os jogadores do passado, salvo poucas exceções, a história não era assim. Muitos tiveram que procurar outros empregos para se manter financeiramente até a aposentadoria. Alguns viraram bancários, outros comerciantes, funcionários públicos... Ou seja, ao invés de trabalhar até no máximo 40 anos, como ocorre com os jogadores da atualidade, tinham que seguir em atividade por pelo menos mais uns 15, 20 anos. E para se aposentar com dificuldade, ganhando o suficiente apenas para se manter. Muitas vezes, nem para isso.

Jogadores que brilharam na década 40 e hoje vivem com bastante dificuldade em casas simples, de madeira, vestindo roupas tão desgastadas pelo tempo quanto eles.

Outros, em situações ainda piores de saúde são objetos de campanha de arrecadação de fundos para viver com mais dignidade.

Prova de que, assim como na “vida real”, no futebol também existem muitas desigualdades.

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